Plantio Direto

 A evolução da agricultura passou por fases distintas. Desde a agricultura nômade, com a queima da palha, arado e intenso preparo mecânico da terra, até a revolução da genética e a correção química de solos. Nesse contexto, se desenvolveu o plantio direto, a partir da necessidade de redução de custos, produção sustentável e do menor impacto negativo sobre o ambiente. 
 
O  plantio direto é o processo de semeadura, sem preparação de solo, que mantém a palha da cultura anterior e posiciona a semente e os fertilizantes com menor distúrbio do sulco de semeadura. Esta técnica envolve a compreensão da dinâmica populacional de pragas, patógenos e plantas daninhas; a distribuição uniforme de palha na colheita da cultura anterior; a rotação de culturas e, ainda, o manejo da lavoura como sistema integrado de produção.
 



Vantagens e benefícios

- Reduz em 66% o número de horas de trator por unidade de área e, consequentemente, também reduz o uso de combustível. No Brasil, por exemplo, quando comparado com o sistema de preparo convencional de solos, os cálculos indicam uma redução de 37 a 50 litros de diesel por hectare. Já nos Estados Unidos, a redução de consumo de diesel em plantio direto é de 42 litros/ha.

- Reduz o uso de unidades de trator, pois onde antes eram usados três tratores com maior potência, hoje, se utiliza apenas um, correspondendo a 33% da necessidade de HP por unidade de área.

- Aumenta o tempo para semeadura das culturas por não haver a necessidade de aração e gradagem. Com isso, é possível fazer o processo de semeadura com maior qualidade e com um período maior para escalonar a época de semeadura e a rotação de culturas.

- Aumenta a disponibilidade de tempo, antes ocupado com aração, gradagem e manutenção de máquinas, que agora pode ser utilizado com outras alternativas de renda.

- Reduz em 90% a perda dos solos por erosão causada por chuvas. Esse fenômeno, em solos de países com maior precipitação, causa perdas médias estimadas em 20 toneladas/ha/ano de solo superficial, que possui maior teor de nutrientes e material orgânico.

- Nos países de baixa precipitação, considerados secos, o plantio direto reduz a erosão eólica e a perda de água de chuvas através da palha na superfície do solo. Isso aumenta a infiltração e armazenagem da água, garantindo maior área de cultivo de grãos, pois aproveita áreas que antes tinham deficiência hídrica. Conseqüentemente, aumenta a colheita.

- De forma geral, o aumento da renda líquida na produção de grãos é estimada entre 5 e 6%.

- Melhora a qualidade da água liberada em excesso nas lavouras, com menores teores de substâncias em suspensão ou em solução.

- Além de todas essas vantagens, o plantio direto também é uma prática que pode se habilitar como estratégia de seqüestro de carbono. Isso porque o solo absorve o carbono, como uma esponja, e este pode ser liberado na forma de gás para a atmosfera, através de processos como a aração e a gradagem. No plantio direto, esses processos deixam de existir e, assim, evita-se a perda de carbono, além de aumentar gradativamente o teor do material orgânico, que contém aproximadamente 50 % de carbono. 

 Mudanças

Para realizar o plantio direto é necessário adquirir semeadoras específicas, conforme o tipo de solo e a região, com pesos e características que permitam o corte de palha e preparação do sulco de semeadura de forma mais eficiente para a germinação de sementes e o pleno estabelecimento de plantas.

Além disso, os conhecimentos, as habilidades e as atitudes são fundamentais para mudar do modelo tradicional de intenso preparo de solos para uma estratégia sustentável de plantio direto.
 

Fonte: Engenheiro agrônomo Dirceu Gassen.